Grande Entrevista · Junho 2026

Agostinho Kapaia
Fiscalidade, Indústria
e o Futuro

O fundador e líder do Grupo OPAIA fala sobre mais de duas décadas de actividade empresarial em Angola, o papel do sector privado, a conformidade tributária e as perspectivas para o crescimento económico nacional.

Entrevistado Agostinho Kapaia
Empresa Grupo OPAIA (fundado em 2002)
Edição N.º 94 · Junho 2026
Foto de Agostinho Kapaia
Agostinho Kapaia
Fundador e Líder do Grupo OPAIA · Angola, desde 2002
O Grupo OPAIA nasceu em 2002. Como surgiu a ideia de criar este projecto empresarial e quais foram os maiores desafios nos primeiros anos de actividade?

A fundação do Grupo OPAIA coincidiu com um período de profunda transformação em Angola, marcado pelo fim de décadas de conflito e pelo início do processo de reconstrução nacional. A ideia surgiu da necessidade e do compromisso de participar activamente no desenvolvimento do País, contribuindo para colmatar lacunas existentes nos sectores das infra-estruturas, indústria e serviços.

Nos primeiros anos, os principais desafios estiveram relacionados com a escassez de infra-estruturas logísticas, a limitada disponibilidade de mão-de-obra especializada e as dificuldades de acesso ao financiamento. Foi necessário actuar com visão estratégica, resiliência e capacidade de adaptação para transformar um cenário desafiante em oportunidades concretas de crescimento e desenvolvimento.

Como avalia o actual ambiente de negócios em Angola e quais são as oportunidades que identifica para o empresariado nacional?

O ambiente de negócios em Angola encontra-se num processo contínuo de consolidação e transformação. Embora persistam alguns desafios, sobretudo relacionados com procedimentos administrativos e acesso ao financiamento, têm sido implementadas reformas importantes para melhorar o clima de investimento.

As principais oportunidades residem na industrialização, na substituição de importações, na agricultura e agro-indústria, nas energias renováveis e na inovação tecnológica. Os empresários que investirem na produção nacional, na criação de valor local e em soluções sustentáveis estarão melhor posicionados para aproveitar o potencial da economia angolana.

A conformidade tributária representa muito mais do que o simples cumprimento de uma obrigação legal. Trata-se de um compromisso com a transparência, a responsabilidade corporativa e a boa governação.

O cumprimento das obrigações fiscais é um dos pilares de uma economia organizada. Como é que o Grupo OPAIA encara a cultura de conformidade tributária?

Para o Grupo OPAIA, a conformidade tributária representa muito mais do que o simples cumprimento de uma obrigação legal. Trata-se de um compromisso com a transparência, a responsabilidade corporativa e a boa governação.

Num contexto cada vez mais globalizado, a credibilidade fiscal constitui um factor essencial para atrair investimento, estabelecer parcerias sólidas e garantir a sustentabilidade dos negócios. O cumprimento rigoroso das obrigações fiscais reforça a confiança dos parceiros, das instituições e da sociedade, contribuindo igualmente para o desenvolvimento económico do País.

Que medidas considera importantes para tornar o sistema tributário cada vez mais simples, previsível e favorável ao investimento privado?

A previsibilidade fiscal é um dos principais factores considerados pelos investidores na tomada de decisões. Neste sentido, algumas medidas importantes incluem:

  • a) Garantir maior estabilidade das políticas fiscais a médio e longo prazo;
  • b) Simplificar procedimentos administrativos e reduzir a burocracia;
  • c) Reforçar a celeridade na resolução de processos tributários e contenciosos;
  • d) Alargar e aperfeiçoar os incentivos fiscais destinados aos sectores estratégicos;
  • e) Continuar a modernização das plataformas digitais de cumprimento das obrigações fiscais.
Enquanto empresário angolano, que conselhos deixaria aos jovens que pretendem iniciar um negócio, sobretudo no que respeita à formalização e ao cumprimento das obrigações fiscais?

O meu principal conselho é que encarem a formalização do negócio como um investimento estratégico e não como um custo adicional. A formalização permite o acesso ao financiamento, aumenta a credibilidade da empresa, facilita a celebração de contratos com entidades públicas e privadas e cria condições para um crescimento sustentável.

O cumprimento das obrigações fiscais deve ser visto como parte integrante da gestão empresarial responsável. Empresas organizadas, transparentes e fiscalmente cumpridoras conquistam maior confiança do mercado e têm melhores possibilidades de crescimento e consolidação.

Quais são as principais metas do Grupo OPAIA para os próximos anos?

As principais metas passam pela consolidação do seu parque industrial, pelo reforço da produção nacional através de projectos estratégicos, como o Complexo Industrial de Fertilizantes (Amufert) e a OPAIA Motors, bem como pela liderança em iniciativas ligadas à inovação tecnológica, à mobilidade eléctrica e às soluções energéticas sustentáveis.

A mensagem que deixo aos empresários angolanos é clara: a construção de uma economia forte, moderna e competitiva exige o compromisso de todos. A responsabilidade fiscal deve ser encarada como um dever cívico e empresarial, pois constitui um dos pilares do desenvolvimento nacional.

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